Tempo.
tenho estado dentro do meu próprio âmago
alternando os polos, ajustando os ponteiros
certa de que não quero aceitar migalhas
quero ser realmente vista
não por qualquer pessoa ou afago
mas por olhos gentis que não se importam em demorar
um turbilhão de pensamentos e sentimentos
dentre tantos, apesar dos pesares, estou viva
como a musa disse: a escrita é maldita,
mas ela salva
o tempo escorre
a medida que estagno e me culpo por estagnar
enquanto decido onde quero me encontrar
e em quem quero me perder
eu imploro: sem mais caminhos oblíquos
esses pés estão cansados acorrentados
a tantas coisas materiais e pessoas artificiais
que sugam minha energia e alegria
e de novo eu tento: não perecer mas além disso tudo enxergar
na janela, contemplo o panorama
e me jogo de volta a vida
junto com o tempo
eu escorro entre meus dedos
na tentativa da auto compreensão
e na tentação à total perdição
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